procura-se janelas

Canção da janela aberta

Passa nuvem, passa estrela,

Passa a lua na janela…

Sem mais cuidados na terra,

Preguei meus olhos no Céu.

E o meu quarto, pela noite

Imensa e triste, navega…

Deito-me ao fundo do barco,

Sob os silêncios do Céu.

Adeus, Cidade Maldita,

Que lá se vai o teu Poeta.

Adeus para sempre, Amigos…

Vou sepultar-me no Céu!

Escrevo diante da janela aberta.

Minha caneta é cor das venezianas:

Verde!… E que leves, lindas filigranas

Desenha o sol na página deserta!

Não sei que paisagista doidivanas

Mistura os tons… acerta… desacerta…

Sempre em busca de nova descoberta,

Vai colorindo as horas cotidianas…

Jogos da luz dançando na folhagem!

Do que eu ia escrever até me esqueço…

Pra que pensar?

Também sou da paisagem…


Mário Quintana

conterrâneo:

.

______DOE SUA JANELA PARA O PROJETO GIGANTO

>>>   >>>>               projetogiganto@gmail.com

.

seu papel

 

 

.

como areia na ampulheta. com o tempo vira poeira. esvai…

 

 

.

nossas faces distorcidas de pavor e veneno. vejo sonhos em você.

 

 

.

poros enlatados de cansaço. ele se encarna

 

 

.

.

.

nós já podemos amá-los do amor táctil. aguardando. em rolos de ansiedade

Senhorinha Ticuna

ticuna_post

foto de Raquel Brust.  Amazonas, 2008

.

a visão turva de um rio caudaloso…

queria abrir os olhos e ver os sons que percebia, a mata…

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=nWBOpR072Pk]

mas foi trans.ferida e acordou na Luz.
senhorinha. sem saber porque vinha. não entendeu o que via

.

.

Fotografia feita durante as filmagens do filme “Ticuna” da Outros Filmes, rodado na floresta amazônica acompanhando os Expedicionários da Saúde. Essa senhora tinha catarata nos dois olhos e passou muitos anos sem enxergar, foi operada e dois dias depois o curativo foi retirado. Essa fotografia revela seu novo olhar.
Aldeia de Novo Paraíso. Tribo Ticuna. Alto Rio Solimões. Amazonas.

.ticuna_aplicado

.

coordenação Lena Maciel

agradecimentos: Luisa Ritter, Mariana Guimarães, Mari Baldi, Carol Ozzy, Vassoura e equipe, as crianças e todo o pessoal da Luz

no caminho das pedras

_DSC7597+
foto Raquel Brust

o relevo entorta a estrada.
desnivelando os sentidos.
o sapato solto, a escolha errada desvia.
a curva, vacila o horizonte.
a pedra aqui agride, impulsiona.
permanece

Lena Maciel

.

.

.

.

.

.

.

acalma a palma

mao_gui

.

a palma nas pedras. a alma delas.
.

.

.

foto por Raquel Brust.

.

Pinheira, SC. fevereiro de 2009.

.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=EfHprG3JBbA]

em primeira mão

mao

preciso dar a mão a palmatória e admitir que não se faz nada sem uma mão amiga. esse é meu pássaro na mão que não veio de mãos beijadas. eu coloquei a mão na massa e com a mão firme não parti com as mãos abanando. na contramão da avenida, no semáforo, no carro sentado, na marcenaria do Raimundo. o mundo que te estende a mão.

muito obrigada Lena Maciel, Gustavo Vargas, Mari Baldi, Marigs, Otávio Cury, Vassoura, sua equipe e sua goma.

obrigada ao pessoal da Marcenaria do Raimundo, foram muito queridos ao cederem o espaço. E gostaram muito da foto na fachada.

.

.

.

.

.

.

coloquei a mão no fogo

.

.
mao_porta

.

.

.

.

raimundo

.

.

esta é a localização da Mão Giganto. Av Rebouças, entre Al. Jaú e Al. Santos. passa lá, tira uma foto e manda pra gente!
mao_na_rebouças

Conceição dos Ouros

conceição dos ouros por Raquel Brust

Conceição os Ouros, Minas Gerais. abril de 2007. Foto de Raquel Brust

Nas estradas cruzamos cidades, pessoas, habitações. Paisagens correm na janela, imagens  perdidas…

Em um dia de muito sol, sai da fazenda de minha amiga Renata Barros, em Santa Rita do Sapucaí, em direcão ao litoral. Não sabia muito bem o caminho… mas segui. Cruzei muitas cidades que não pareciam cidades em estradas que pareciam ruas.  Apreciando as fotografias que passavam velozes na janela, vi com esta senhora.

Os vincos de seu rosto eram tão intensos… sua placidez tão misteriosa… que parei o carro.

Palavras indecifráveis, um diálogo de olhares. Eu a fotografei e a peguei para mim. para sempre. Seu rosto marcante na minha memória de prata.

Não tenho lembrança do que exatamente aconteceu durante esse encontro… não sei dizer quanto tempo isso durou… só senti um mergulho contra o muro… do peso da vida dela… faccionei e estendi o tempo. no corte, nos vincos.. eu podia ver sua alma desenhada.

Nem ela nem eu poderíamos imaginar as proporções que este encontro um dia iria ter…

…eu segui a estrada e ela acabou no mar

Conceição dos Ouros em nova morada

P1320479+post

“Conceição do Ouros em nova morada” , foto Raquel Brust

.

A cidade em transformacão. Demolições, velhas fachadas, novas vias, nova vida. Largo da Batata, região de confusão. Trânsito e comércio popular. Sua história fala do fim da vida indígena, do início da imigracão japonesa, dos primeiros mercados. O primeiro bairro da São Paulo. Região carregada de memória e som. O contínuo barulho da civilização. Quantas vidas não viveu Conceição? Caminhos subterrâneos são cavados a exaustão. O que era esquecido agora foi banido. Tudo ficará bonito. Construir a ordem de concreto. Calçadas. Pedestres, vida transformada. Estação, metrô, busão. Paredes desmanchadas. Famílias afastadas. Expulsem as prostitutas, montem os escritórios, construam um shopping, passem batom.

.

Localização

local_primeira_ação

Este é o local da instalacão. Av Brig Faria Lima quase esquina com Rua Bartolomeu Zunega.

largo da batata

.